National Geographic Channel

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  • APOCALIPSE DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

  • Domingo 3 de Agosto, às 22:30
  • National Geographic Channel

ENTREVISTA COM O PRODUTOR LOUIS VAUDEVILLE

Como é que este projecto começou?

Setenta anos depois do início da Segunda Guerra Mundial, pareceu-nos importante e emocionante contar a história da guerra de uma maneira diferente. Muitos documentários contam a Segunda Guerra Mundial de um ponto de vista nacional ou até mesmo nacionalista, enquanto nós apresentamos uma perspectiva internacional. Tentámos mostrar da forma mais fiel possível desde a personalidade mais famosa até aos homens e mulheres comuns que participaram ou se tornaram vítimas da guerra.

 

Quanto tempo demorou a encontrar e identificar as imagens que podemos ver em 'Apocalipse da Segunda Guerra Mundial'?

Demos início à pesquisa e a descodificação dos arquivos no início de 2007 e demos por terminado o trabalho de edição em Maio de 2009. Ao todo, foram precisos dois anos e meio para recolher e identificar 600 horas de imagens de arquivo que conseguimos através de mais de 100 fontes em 17 países.

 

Qual foi o sítio mais invulgar ou estranho onde encontraram imagens?

Estas imagens inéditas faziam parte de colecções que não estavam digitalizadas e nem sequer catalogadas nos grandes arquivos de filmes. Esses arquivos têm imagens incríveis e de grande valor para os investigadores. Por exemplo, a Nara nos Estados Unidos da América, ECPAD (arquivo de filmes do exército) em França, NHK no Japão, e o arquivo de filmes de Krasgonorsk na Rússia.

Essas imagens constituem também filmes caseiros que foram encontrados em colecções particulares alemãs e francesas ou então nas cinematecas regionais inglesas. Estes filmes amadores, a cores, foram recentemente encontrados em casas de família de descendentes daqueles que viveram no tempo da guerra.

 



Durante o processo de visionamento das imagens, o que acha que constituiu um maior desafio?

A parte mais difícil foi mesmo a escolha das imagens e o termos que tomar decisões sobre que imagens deixar de parte por, infelizmente, não nos serem úteis para a narração da história. A intensidade dramática da história é a nossa prioridade.

 

Dê-nos o exemplo de algumas imagens que, apesar da sua importância, não puderam ser incluídas na série documental e porquê?

Tivemos que deixar de parte as imagens mais chocantes e também sequências muito boas, por exemplo:


- As cabeças de soldados japoneses em sacos de rede que os Papous erguiam orgulhosamente;
- A escola das SS de Waffen onde os soldados aprendiam tranquilamente como fazer a guerra (cursos de estratégia militar e de matemática...)
- Jovens nuas que dançavam numa sala de música, num filme de propaganda de celebração do Natal feito para soldados americanos que estavam no Pacífico.
- Os grandes planos amadores de jovens combatentes da resistência italiana no seu quotidiano (gesticulavam, discutiam e riam-se)

 



Como foi o processo de colorir? Quanto tempo demora a colorir 1 minuto de filme?

Antes de colorir, tivemos que restaurar as imagens que poderiam estar danificadas. Depois, confirmámos com historiadores franceses e internacionais as cores dos uniformes, dos aviões, dos tanques, dos veículos, dos locais, etc. É impossível imaginar a quantidade de uniformes diferentes que os exércitos tinham na guerra! Esse processo de investigação não teria sido possível sem a Internet e sem as dezenas de historiadores e coleccionadores apaixonados pela Segunda Guerra Mundial.


Quando as cores estavam estipuladas, o processo de colorir foi feito a um ritmo de 1 minuto por dia.

 

Trabalhar nesta série mudou a sua percepção sobre a Segunda Guerra Mundial?

Descrever toda a Segunda Guerra Mundial em apenas 6 episódios de 52 minutos foi um verdadeiro desafio. Os realizadores de cinema, Isabelle Clarke e Daniel Costelle, fizeram a parte essencial do trabalho. A ordem dos acontecimentos que fizeram com que a guerra se tornasse mundial é bastante clara.

 

O que acha que vai marcar os telespectadores depois de verem a série?

Esta série mostra a guerra mais devastadora de todos os tempos e a tragédia humana. Os soldados de todos os países sofreram bastante com a violência das batalhas, mas pela primeira vez, houve mais vítimas civis que militares. As imagens do sofrimento das pessoas comuns vão definitivamente ficar nas nossas memórias.

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