Como é que este projecto começou?
Setenta anos depois do início da Segunda Guerra Mundial, pareceu-nos importante e emocionante contar a história da guerra de uma maneira diferente. Muitos documentários contam a Segunda Guerra Mundial de um ponto de vista nacional ou até mesmo nacionalista, enquanto nós apresentamos uma perspectiva internacional. Tentámos mostrar da forma mais fiel possível desde a personalidade mais famosa até aos homens e mulheres comuns que participaram ou se tornaram vítimas da guerra.
Quanto tempo demorou a encontrar e identificar as imagens que podemos ver em 'Apocalipse da Segunda Guerra Mundial'?
Demos início à pesquisa e a descodificação dos arquivos no início de 2007 e demos por terminado o trabalho de edição em Maio de 2009. Ao todo, foram precisos dois anos e meio para recolher e identificar 600 horas de imagens de arquivo que conseguimos através de mais de 100 fontes em 17 países.
Qual foi o sítio mais invulgar ou estranho onde encontraram imagens?
Estas imagens inéditas faziam parte de colecções que não estavam digitalizadas e nem sequer catalogadas nos grandes arquivos de filmes. Esses arquivos têm imagens incríveis e de grande valor para os investigadores. Por exemplo, a Nara nos Estados Unidos da América, ECPAD (arquivo de filmes do exército) em França, NHK no Japão, e o arquivo de filmes de Krasgonorsk na Rússia.
Essas imagens constituem também filmes caseiros que foram encontrados em colecções particulares alemãs e francesas ou então nas cinematecas regionais inglesas. Estes filmes amadores, a cores, foram recentemente encontrados em casas de família de descendentes daqueles que viveram no tempo da guerra.
Durante o processo de visionamento das imagens, o que acha que constituiu um maior desafio?
A parte mais difícil foi mesmo a escolha das imagens e o termos que tomar decisões sobre que imagens deixar de parte por, infelizmente, não nos serem úteis para a narração da história. A intensidade dramática da história é a nossa prioridade.
Dê-nos o exemplo de algumas imagens que, apesar da sua importância, não puderam ser incluídas na série documental e porquê?
Tivemos que deixar de parte as imagens mais chocantes e também sequências muito boas, por exemplo:
- As cabeças de soldados japoneses em sacos de rede que os Papous erguiam orgulhosamente;
- A escola das SS de Waffen onde os soldados aprendiam tranquilamente como fazer a guerra (cursos de estratégia militar e de matemática...)
- Jovens nuas que dançavam numa sala de música, num filme de propaganda de celebração do Natal feito para soldados americanos que estavam no Pacífico.
- Os grandes planos amadores de jovens combatentes da resistência italiana no seu quotidiano (gesticulavam, discutiam e riam-se)
Como foi o processo de colorir? Quanto tempo demora a colorir 1 minuto de filme?
Antes de colorir, tivemos que restaurar as imagens que poderiam estar danificadas. Depois, confirmámos com historiadores franceses e internacionais as cores dos uniformes, dos aviões, dos tanques, dos veículos, dos locais, etc. É impossível imaginar a quantidade de uniformes diferentes que os exércitos tinham na guerra! Esse processo de investigação não teria sido possível sem a Internet e sem as dezenas de historiadores e coleccionadores apaixonados pela Segunda Guerra Mundial.
Quando as cores estavam estipuladas, o processo de colorir foi feito a um ritmo de 1 minuto por dia.
Trabalhar nesta série mudou a sua percepção sobre a Segunda Guerra Mundial?
Descrever toda a Segunda Guerra Mundial em apenas 6 episódios de 52 minutos foi um verdadeiro desafio. Os realizadores de cinema, Isabelle Clarke e Daniel Costelle, fizeram a parte essencial do trabalho. A ordem dos acontecimentos que fizeram com que a guerra se tornasse mundial é bastante clara.
O que acha que vai marcar os telespectadores depois de verem a série?
Esta série mostra a guerra mais devastadora de todos os tempos e a tragédia humana. Os soldados de todos os países sofreram bastante com a violência das batalhas, mas pela primeira vez, houve mais vítimas civis que militares. As imagens do sofrimento das pessoas comuns vão definitivamente ficar nas nossas memórias.
Apocalipse da Segunda Guerra Mundial: A Agressão