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National Geographic Channel
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DIÁRIO DE PRODUÇÃO – OS SEGREDOS DO TIRANOSSAURO

Diário do Realizador 14-08-09: Hoje acabámos as filmagens em St. Augustine Gator Farm. Foi um daqueles dias em que pensamos no quão perto estamos da morte no nosso trabalho! Neste episódio explorámos o que podemos descobrir sobre os sentidos do tiranossauro, por isso, viemos a esta reserva filmar crocodilos já que os crocodilos e as aves estão ligados aos dinossauros. Por outras palavras, se os crocodilos e os pássaros têm as mesmas formas ou atributos físicos, é muito provável que o mesmo se passasse com os dinossauros. Mas para ficarmos a saber qualquer coisa sobre os sentidos da visão, audição ou olfacto de um crocodilo, isso significa que tivemos que capturar um - e os pequeninos não contam. Tivemos mesmo que capturar um dos grandes - Hercules, era o seu nome. Por sorte, não só a equipa era extremamente talentosa e familiarizada com a melhor forma de fazer as coisas como também contávamos com a presença de um perito em crocodilos, Greg Erickson, para ajudar Phil. O primeiro passo era tirar Hercules da água e, aparentemente, Kevin, um dos tratadores, sabia que o exemplar gostava de sair da água num determinado local. No entanto, para lá chegarmos, tivemos que atravessar uma pequena ponte sobre a corrente. Sem problema, pensei eu, até ao momento em que Kevin nos disse que um dos crocodilos gostava muito de estar debaixo da ponte e que às vezes conseguia saltar e dar umas dentadas. Óptimo - como é que vou passar a ponte agora? Com um tratador de cada lado da ponte "armados" com grandes paus, Phil, Dave, o nosso Director de Fotografia, Adrian e eu decidimos atravessar.  A princípio, nenhum de nós queria ir mas, sendo o realizador, tinha que mostrar alguma coragem e lá fui eu. Adivinhem: o dito crocodilo decidiu sair e pregar-me um susto dos grandes! Felizmente, os tratadores afastaram-no mas, tenho que dizer, que Phil não teve a mesma sorte que eu - não só teve que atravessar a ponte como também teve que ajudar a apanhá-lo, a amarrá-lo e a medi-lo.  A travessia da ponte correu bem depois do meu susto mas quando chegou o momento de Kevin tirar Hercules da água, quase tivemos um incidente. Hercules tinha vergonha das câmaras e Kevin tentava a todo o custo conseguir algumas imagens quando, de repente, Hercules ataca. Kevin conseguiu reagir suficientemente rápido para evitar ficar ferido com gravidade, mas Hercules tinha conseguido apanhar-lhe uma mão. Kevin ficou bem mas são momentos como este que nos fazem pensar em quão perigoso o nosso trabalho pode ser.

 

 

DIÁRIO DE PRODUÇÃO – CAMINHAR COMO UM DINOSSAURO

Diário do Realizador 21-11-09: Como os antigos dizem, se a vida nos dá limões, temos que fazer limonada. O plano para hoje era ir até um dos, se não o mais importante rota de dinossauros de toda a América do Sul, localizada na Villa El Chocon, na Patagónia. As fotografias que tínhamos visto do local mostravam pegadas enormes nas margens de um lago. Com o nosso kit LiDAR, os nossos dois veículos dirigiram-se para o lago na companhia de Martin Monteverde, um biólogo e perito em rotas de animais, e o Dr. Bill Sellers, o nosso zoólogo computacional. Phil estava muito entusiasmado em mostrar-nos estas rotas uma vez que já conhecia o local de outras ocasiões. Mas tudo mudou quando saímos do carro. Uma passagem de peões recentemente construída não era a única coisa que Phil não tinha visto. O nível do lago tinha subido e as rotas estavam agora a pelo menos dois metros de profundidade. Ficámos todos destroçados. Tinhamos percorrido todo aquele caminho para descobrirmos que as autoridades locais tinham aberto as comportas de uma barragem muito recentemente e toda a zona tinha ficado submersa, devido ao aumento do nível da água. E agora? A tecnologia LiDAR não funcionava debaixo de água e a rota nem se conseguia ver. Precisávamos de filmar qualquer coisa mas a imagem de Phil, Bill e Martin a olharem para a água não era a melhor. No entanto, a poucas centenas de metros dali encontrámos uma possível solução. Mais pegadas debaixo de água, mas estas estava visíveis e a uma profundidade muito menor. Sem hesitar, pedi a Phil que se descalçasse, arregaçasse as calças e que fosse ter com os dinossauros. Acabou por ser um momento divertido já que, por muito que a tecnologia facilite o trabalho de recolha de dados de Phil e dos outros cientistas, não proporciona bons momentos de televisão. Mas ver três homens com as calças arregaçadas em águas geladas a tentarem medir pegadas de dinossauros submersas, proporciona de certeza bons momentos de televisão. E assim foi - conseguimos protagonizar uma cena inesperada que foi certamente mais activa que levar o dispositivo LiDAR para identificar a rota dos dinossauros e ainda nos divertimos um bom bocado.

 

 

DIÁRIO DE PRODUÇÃO – AO VIVO E A CORES

Diário do Realizador 06-05-09: O dia de hoje foi um grande sucesso! Terminámos as gravações em Solnhofen, Baviera, no sul da Alemanha. Viajámos até esta velha e tranquila região do mundo para filmarmos o local onde os famosos fósseis de Archaeopteryx foram descobertos em 1861. Tem sido uma semana magnífica, em grande parte devido às pessoas que conhecemos. A principio, pensámos que teríamos que enfrentar vários problemas já que grande parte, se não todas, as pedreiras da zona tinham sido fechadas graças à economia. Muitas pessoas estavam sem trabalho, contactamos o Presidente da Câmara desta pequena localidade e não podia ter sido mais útil. Conseguiu ter ao nosso dispor alguns trabalhadores das pedreiras e um guia para facilitar o nosso acesso ao que fosse preciso. Nunca tinha estado numa pedreira e ver como podíamos separara as várias camadas da pedra para revelar os fósseis existentes foi bastante viciante - agora compreendo como é que o Phil passa tantas horas em sítios como este. Toda a equipa entrou em acção pegando em pedaços de pedra calcária para desvendar que tesouros estavam escondidos no seu interior. Encontrámos alguns peixes pré-históricos, insectos e moluscos. Mas o ponto alto do dia foi trabalhar com um casal da Estónia. Mal falavam alemão e inglês muito menos. Filmámos uma cena em que o marido cortava com uma precisão impressionante blocos de pedra. Quando terminámos, trouxe-nos uma caixa e mostrou-nos os fosseis que tinha encontrado - peças magnificas que valeriam um bom dinheiro no mercado e deu-nos uma. Tentámos a todo o custo não aceitar já que era assim que ele ganhava a vida mas ele insistiu.

Esta é a nossa última noite antes de seguirmos para Berlim. Convidámos o Presidente da Câmara e a sua mulher para se juntarem a nós. Tinha feito tanto por nós durante aquela semana que queríamos arranjar uma forma de lhe agradecer. Pedimos ao dono do hotel que nos preparasse uma refeição especial de despedida e, como toda a gente que conhecemos nesta zona, deu o seu melhor para nos proporcionar a melhor refeição imaginável. E ali estávamos todos, cerca de 12 pessoas à volta de uma grande mesa, com canecas de cerveja e bifes tão grandes que pareciam bifes de dinossauro - nunca tínhamos visto daquele tamanho. Parecia uma cena dos Flinstones, em que os bifes saiam para fora do prato. Depois de conseguirmos comer um quarto da comida, o chefe apareceu com uma garrafa especial de schnapps (uma espécie de genebra alemã), um acordeão e deu assim inicio a um festival de música e dança tradicionais da Baviera. Foi uma noite memorável.

 

DIÁRIO DE PRODUÇÃO – A RESISTÊNCIA DO TIRANOSSAURO

Diário do Realizador 08-11-09: Hoje foi o nosso segundo dia de filmagens no Centro Equestre New Bolton, na Pensilvânia. Ontem filmámos um cavalo de corrida a fazer trabalhos pesados, sim, isso mesmo! No chão do celeiro está um trilho coberta de água mas o subsolo está equipado com mecanismos hidráulicos para ajustar a inclinação. O cavalo é levado para o interior, ligado a um monitor cardíaco e a uma máquina de análise respiratória e o animal, que caminhava a passo, vai gradualmente passando para trote, meio galope e por fim para galope. Estar ao lado de um cavalo que galopa a mais de 50 quilómetros por hora pode ser aterrador e fascinante. O cavalo sua em bica, o vapor liberta-se do corpo do cavalo e quase que sentimos o cheiro dos cascos a fumegar. E o barulho... quase que não conseguimos ouvir o que Phil e o veterinário estão a dizer! O mais aterrador é imaginarmos que o cavalo vacila - o que aconteceria? Perguntámos aos veterinários e técnicos mas eles disseram que, em todos aqueles anos, nunca tinha havido problemas. Depois de assistirmos a isto, pensámos que já tínhamos visto tudo mas o que vimos hoje ultrapassou todas as expectativas. Hoje, Phil e a nossa equipa encontraram-se com o Dr. Dean Richardson. O Dr. Richardson é o cirurgião que trabalhou com o famosos vencedor do Derby Kentucky, Barbaro. Hoje, Dean deixou-nos levar câmaras para a sala de cirurgias. Uma das imagens mais impressionantes é ver como se anestesia um animal com uma tonelada. Em primeiro lugar, o animal é levado para uma boxe especial munida com roldanas e arneses. Depois de injectarem a anestesia no cavalo, fazem passar o arnês à volta do cavalo já que, como o cavalo vai ficar adormecido, o arnês irá suportar o peso do animal. Quando o cavalo está completamente adormecido, o arnês iça o cavalo para fora da boxe e coloca-o no local onde vai ser feita a cirurgia. A parte mais complicada de todo o processo é colocar o animal no local onde vai ser operado de modo a ficar com a pata no sítio certo para Dean o conseguir operar. Uma equipa de veterinários ajuda a colocar o cavalo em posição lateral. Quando o cavalo está na posição certa, é como Dean diz: carpintaria, mas com muito sangue. Como cirurgião experiente, já salvou muitos cavalos que tinham ossos partidos e articulações danificadas. Quando a operação termina, o cavalo precisa de acordar, mas imagine como é o acordar de um animal com quase 500 quilos acabado de operar a uma pata - o animal entra em pânico. De modo a controlar o stress e os movimentos bruscos do animal, a equipa iça o animal enquanto ainda está inconsciente e coloca-o numa balsa de borracha especialmente concebida para o efeito, dentro de uma grande piscina. As patas ficam limitadas a uns compartimentos, tipo bolsos, na balsa e quando o animal começa a acordar e a dar coices, está num ambiente em que não se magoa nem magoa as pessoas que estão por perto. Quando o cavalo está totalmente acordado e calmo, já é seguro tirá-lo da balsa e colocá-lo numa boxe de recuperação. Para nossa surpresa, o cavalo já estava a apoiar o seu peso na pata que tinha sido operada imediatamente depois de ter sido levado para a boxe de recuperação - um enorme sucesso e um espectáculo incrível.

 

DIÁRIO DE PRODUÇÃO – DINOSSAUROS GIGANTES

Blog do Realizador, 7 de Março de 2010  
San Antonio, Texas, Estados Unidoa da América

Depois de quase um ano a filmar pelos quatro continentes, hoje consegui finalmente fazer com que o calmo e descontraído Phil Mannings falasse para as câmaras. Se pusermos Phil Mannings em frente a uma britadeira e colocarmos lá um tubo de PVC até explodir, irá conseguir um óptimo resultado.

Estávamos a filmar a cena para tentarmos visualizar a força que a pata de um dinossauro tinha enquanto caminhava. Bill Sellers, amigo e colega de Phil, juntou-se à nossa equipa e trouxe uma câmara de alta velocidade que acabou por ser muito útil. A ordem de trabalhos do dia era basicamente vermos quantas coisas conseguíamos esmagar antes de irmos para casa. O pessoal do centro de testes Intertek juntou-se a nós para passarmos momentos divertidos - mas claro que estávamos todos cientes das precauções e medidas de segurança que tínhamos que seguir para podermos continuar as filmagens no dia seguinte. Com óculos de protecção, capacetes e redes de protecção fizeram-nos sentir completamente seguros... mas não há nada como uma boa explosão para nos fazer reagir. Todos os elementos da equipa estremeceram quando o tubo explodiu. Foi absolutamente fantástico.   

Também destruímos um televisor e um pedaço de madeira com dez metros. O televisor explodiu bastante bem, mas nada que se compare com o estrondo causado pela explosão do tubo de PVC. O pedaço de madeira foi o menos interessante dos três objectos que destruímos porque não explodiu... mas sempre que Victor e a equipa Intertek punham um novo objecto nas mandíbulas de HULK, toda a sala ficava repleta de uma curiosidade infantil. Nunca fui do género de arrancar as asas às borboletas... mas partir coisas proporciona sempre bons momentos. Estávamos a captar imagens para dois episódios diferentes na Intertek e trabalhámos muito pela noite adentro - Victor e a sua equipa foram incansáveis e fizeram os possíveis e impossíveis para que tudo isto acontecesse. Até virmos aqui, nunca tinha ouvido falar da Intertek. Fiquei surpreendido ao saber que esta equipa testava faculdades de objectos por todo o mundo... e não se limitavam a esmagar coisas, também queimam, entortam, esticam, tudo na tentativa de tornarem os produtos que construímos e compramos mais seguros.

Perto da meia-noite, quando tínhamos acabado de guardar o nosso material, começou a chover intensamente. Os deuses da televisão devem ter estado connosco. Se tivesse começado a chover uma hora antes não teríamos conseguido terminar as gravações. O barulho da chuva num telhado de zinco é possivelmente o som dos piores pesadelos de um homem. Quando a chuva parou (aparentemente, San Antonio não via chover assim há vários meses) fomos tentar encontrar algum sítio para comer à uma da manhã. Tínhamos esperança de encontrar um restaurante mexicano aberto mas o único sítio aberto era um restaurante vulgar. Bem... de qualquer das formas já eram quase horas de tomar o pequeno-almoço.

Fim de comunicação: 2 da manhã.

 

DIÁRIO DE PRODUÇÃO – DEBAIXO DA PELE

 

Diário do Realizador 06-02-09: Será que o cheiro vai desaparecer? É assim que me sinto esta noite, depois de termos filmado a temível experiência da galinha. A ideia era revelar visualmente como o processo de decomposição pode ser atrasado. Tudo começou há algumas semanas quando ainda estávamos em fase de pré-produção na Nova Zelândia. Gabi tinha a responsabilidade de planear tudo, as pessoas com quem nos íamos encontrar, os locais a visitar e o material necessário para as nossas filmagens na Alemanha. Mas quando lhe fizemos mais um pedido, houve uma longa pausa - duas galinhas mortas? O que tínhamos pensado fazer era pegar numa galinha morta, pôr alguma areia num balde, a galinha, mais areia e alguma água. Tapar tudo e colocar no exterior, ao sol. Num segundo balde, sem areia nem água - só uma galinha morta e uma película a tapar da exposição directa do sol. Passadas duas semanas, voltámos com Phil e Dino Frey - sim, é esse o seu nome - para filmarmos os resultados. Bem, como pode imaginar, o sol de Verão da Alemanha... ooooh, foi muito mau. Para além disso, quem é que a Gabi iria encontrar que se oferecesse para fazer uma tarefa daquelas? Estávamos na Baviera e Gabi vive em Berlim. Sem hesitar, meteu-se no carro e foi para sul à procura de um agricultor que se voluntariasse. Eventualmente, e sob um a caução, Gabi encontrou um agricultor que concordou em fazer a experiência. Passadas duas semanas, aparecemos nós. Phil e Dino quase que vomitaram em frente às câmaras. Mas os dois eram autênticos profissionais. Calçaram luvas de borracha, afastaram as larvas e analisaram a fundo as duas galinhas. A melhor parte de tudo foi a reacção de Phil à galinha enterrada. Apesar de ter estado muito perto de não controlar o vómito, ficou genuinamente surpreendido com os resultados. A galinha tinha ficado toda preta e inchada. A outra tinha dado de si e quase não se reconhecia o formato de uma galinha. A experiência deu-nos a ideia de como o processo de ter um corpo enterrado pôde ser o inicio da formação de fosseis há vários milhões de anos. Depois de terminarmos a experiência com as galinhas, estava a ficar tarde para a festa de aniversário de Phil. Tínhamos planeado um jantar em sua homenagem mas, devo dizer, foi a refeição mais barata de sempre.

 

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