Pergunta: Quando é que aprendeu a pescar?
Resposta. Aprendi a pescar durante a minha infância, no Kentucky. Tínhamos que atravessar quintas e vales para encontrarmos cursos de água. Era uma obsessão. Nunca pensei que os rios do Kentucky fossem desaguar no oceano.
P: Viu mais algum animal interessante enquanto filmavam a série?
Pergunta: Quanto tempo demorou a organizar esta expedição? Como é que chegou a este programa?
Resposta. A preparação desta expedição demorou muito tempo. Fiz planos para capturar tubarões brancos durante dois anos antes de ver uma fotografia da nova embarcação de Chris Fischer. Estava a meio do projecto de um elevador insuflável mas a engenharia ainda não conseguia dar resposta ao conceito. O programa actual não passou de uma extensão natural do estudo que estava a desenvolver. A informação complementar que consegui acabou por preencher algumas lacunas existentes.
P: O que torna esta expedição diferente? Porque é que acha que nuca se fez nada assim?
R. A marcação de tubarões brancos já tinha sido feita antes mas nunca a esta escala. Esta expedição foi a primeira a identificar especificamente tubarões adultos e maduros. Estudos realizados anteriormente não tinham marcado tubarões adultos por causa do seu tamanho. Contactar com um animal que pesa toneladas requer pessoas qualificadas para o efeito bem como equipamento próprio.
P: O que é que as descobertas feitas durante a expedição revelaram até agora?
R. Apesar de ainda não estar preparado para revelar todos os segredos dos meus estudos, posso adiantar que o que descobrimos vai mudar em muito aquilo que pensávamos saber sobre os tubarões brancos. Temos alguns artigos científicos que vão ser publicados e muitos dos resultados vão ser revelados no Simpósio dos Tubarões Brancos em Fevereiro.
R. O dia mais marcante desta expedição foi quando conseguimos tirar da água a nossa primeira fêmea adulta. Ficar frente-a-frente com um predador daquelas dimensões foi impressionante. Já tinha olhado para os olhos dos tubarões brancos muitas vezes no seu habitat natural, mas esta foi a primeira vez que convidei um exemplar de 1800 quilos para uma breve passagem pelo meio habitat.
R. Apanhar um tubarão branco não é assim tão difícil. Se lhe dermos um bom isco, eles apanham-no. O grande desafio foi arranjar uma forma de os içarmos para fora da água. Essa simples acção acaba por ser a combinação de outros pequenos desafios que fazem com a operação tenha sucesso. Acho que a parte mais difícil é fazer com que o tubarão entre para o elevador. Tive que voltar a desenhar o elevador vezes sem conta enquanto o Chris e o Brett projectavam vários métodos que fizessem com que o tubarão nadasse até ao elevador.
R. O grande tubarão branco é um predador muito importante nos oceanos de todo o mundo. Estes tubarões são responsáveis por manter um nível saudável de algumas populações de animais que caçam. Sem eles, estes ecossistemas podem ficar fora de controlo e bastante instáveis. Para além disso, os tubarões brancos são criaturas vulneráveis e carismáticas que merecem os mesmos esforços de conservação que os seus parentes terrestres como os leões, os tigres ou os ursos.
R. Ao desvendarmos os mistérios da história de vida dos tubarões brancos vai fazer com que os seres humanos compreendam a complexidade dos ecossistemas marinhos e que as acções humanas podem ter um efeito dramático na população de tubarões, mesmo sem ser intencionalmente. Penso que, ao darmos a conhecer estes animais ao público em geral, vai fazer com que tenham uma maior consideração por eles.
R. Sinceramente, o meu programa de estudo dos tubarões brancos foi um acidente. Resumidamente, depois de várias expedições à Ilha de Guadalupe para estudar o atum de barbatana azul do Pacífico, acabei por identificar um tubarão branco. O atum tinha desaparecido da ilha (e nunca mais tinha voltado) e descobri uma população de tubarões brancos bastante significativa. A primeira identificação foi o inicio do que é agora o programa de estudo de tubarões brancos mais completo do mundo.
R. Ao longo da minha vida profissional, capturei, estudei e estive constantemente em contacto com peixes. Quando olho para um tubarão branco, não o vejo como um devorador de homens, vejo simplesmente um peixe muito grande. É claro que respeito o seu arsenal de dentes, mas sei que se tiver cuidado os posso tratar como quaisquer outros peixes. Ou seja, vão poder ver-me a fugir como uma gazela quando os tubarões se viram para mim e começam a nadar na minha direcção no elevador!
R. Apesar da média de sexos ser de um para um, as fêmeas adultas não regressam à Ilha de Guadalupe todos os anos, daí haver muito mais machos que fêmeas na ilha. Acredita-se que as fêmeas dão à luz de dois em dois anos, por isso o seu ciclo migratório pode ser diferente do dos machos. Os machos procuram a sua sorte todos os anos.
R. Foi muito gratificante estar envolvido num projecto de estudo de tubarões brancos a um nível que ninguém imaginaria há 15 anos, mas foi ainda mais gratificante fazer parte de um grupo de pessoas que abraçou este desafio e viver o dia-a-dia com uma equipa que levou muito a sério os desafios profissionais. Somos muito mais que uma equipa, somos uma família.
Tubarões Brancos
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